Eleitores escolhem presidente e futuro de paz na Colômbia

Eleitores escolhem presidente e futuro de paz na Colômbia

Está nas mãos dos 41,4 milhões de eleitores colombianos decidir, este domingo, se é para manter o atual Governo de esquerda ou se é hora de regressar a direita ao poder. Entre os mais de dez candidatos à Presidência da Colômbia, as sondagens indicam que há três com reais hipóteses de eleição e prevê-se que haja ainda uma segunda volta.

Inês Moreira Santos - RTP /
Mauricio Duenas Castaneda - EPA

Os colombianos vão às urnas este domingo para a que se prevê que seja a primeira volta das Eleições Presidenciais, escolhendo entre candidatos com visões e propostas muito diferentes para o futuro do país sul-americanos assolado por décadas de conflito armado.

Estas eleições são consideradas pelos analistas como um referendo sobre as políticas do presidente cessante Gustavo Petro, dez anos depois de a Colômbia ter assinado um pacto de paz histórico com as guerrilhas das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Acordo que trouxe esperança aos colombianos de que ia chegar ao fim o ciclo de conflitos entre os grupos rebeldes e o Governo, mas a violência tem aumentado.

Grupos criminosos têm realizado ataques com drones com maior frequência e a campanha eleitoral assolada por ataques armados.


Entre os muitos problemas que a Colômbia enfrenta, o ressurgimento do conflito armado - nomeadamente de guerrilhas de esquerda e paramilitares -, narcotráfico e a corrupção estão entre os mais urgentes que o presidente eleito vai ter de enfrentar no país.


O clima destas presidenciais é, por isso, de insegurança no país. E as propostas dos candidatos dividem-se entre manter as políticas de Petro ou mudar numa linha dura. 

Entre os 13 candidatos a estas eleições presidenciais, quase todos admitem ter sido de ameaças, numa altura em que, segundo o Comité Internacional da Cruz Vermelha, a Colômbia vive o período mais grave em termos de segurança da última década. 
Principais candidatos 
O candidato eleito terá em mãos o desafio de voltar a trazer paz para a Colômbia.

Desde o início da campanha que as sondagens mostram o senador Iván Cepeda - candidato do Pacto Histórico e de uma coligação de esquerda - como o favorito.
A esquerda foi fortalecida pela popularidade do presidente Gustavo Petro, mas provavelmente não terá o apoio necessário para vencer na primeira volta, uma vez que o candidato promete expandir as reformas iniciadas pelo atual executivo.

Mas Cepeda, de 63 anos, está muito abaixo dos mais de 50 por cento de apoio necessários para evitar uma segunda volta em junho. As sondagens sugerem que terá de enfrentar uma disputa muito mais renhida na segunda volta, quando os eleitores de direita e de centro já não tiverem vários candidatos para escolher.

Em segundo lugar está Abelardo de la Espriella, candidato que se autoproclamou de “El Tigre” é assumidamente de extrema-direita e regressou de uma vida luxuosa em Itália para se candidatar pela primeira vez a um cargo político. O empresário independente de 47 anos, que promete repressão a nível da segurança, lidera o recém-criado movimento Defensores da Pátria e promete revolucionar o panorama político para “salvar o país e transformá-lo numa nação milagrosa". Apresenta-se como o maior rival de Cepeda, tanto na retórica como nas sondagens, e afirma admirar políticos de direita, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente de El Salvador, Nayib Bukele.

O advogado defende ainda retirar a Colômbia de organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA), alegando que essas instituições servem para promover "políticas de esquerda". 

Nas últimas três eleições, o "Uribismo" - movimento baseado nas políticas do ex-presidente Álvaro Uribe Vélez (2002–2010) - foi a principal força da direita, mas desta vez esta hegemonia está a ser desafiada por De la Espriella, que tem um discurso de linha dura contra o crime e a guerrilha que agrada a grande parte dos eleitores do Centro Democrático, que estão descontentes com a candidata do partido, Paloma Valência - a terceira colocada nas sondagens -, por a considerarem demasiado branda. 

Uma das surpresas da campanha foi o crescimento da candidata de direita Paloma Valencia, do partido Centro Democrático, senadora de direita que pretende ser a primeira mulher a liderar o país. Neta do ex-presidente Guillermo León Valencia, que governou a Colômbia na década de 1960, a candidata tem 50 anos. 

Outros nove candidatos de vários espetros políticos, com apoio marginal nas sondagens, também constam no boletim de voto, incluindo os ex-autarcas Sergio Fajardo, Claudia López e Carlos Caicedo [que desistiu da sua candidatura para apoiar Cepeda], e os ex-senadores Roy Barreras e Mauricio Lizcano.

Completam a lista Miguel Uribe Londoño, pai do senador assassinado no ano passado Miguel Uribe Turbay; o general na reserva do Exército Gustavo Matamoros; e os empresários Sondra Macollins Garvin e Santiago Botero. 

A campanha para as eleições presidenciais na Colômbia - país com 53,9 milhões de habitantes - foi a mais violenta dos últimos oito anos, não só devido às ameaças contra os candidatos, mas também devido ao aumento da insegurança e violência em vários pontos do país.

De acordo com o Registo Nacional da Colômbia, dos 41,4 milhões de colombianos aptos a votar, 1,4 milhões estão registados no estrangeiro, onde foram instaladas 253 mesas de voto em 67 países. Mais de metade dos colombianos inscritos para votar no estrangeiro está nos Estados Unidos e em Espanha, com 454.262 e 307.996 eleitores inscritos, respetivamente. O período de votação para os colombianos no estrangeiro vai de 25 a 31 de maio, nas embaixadas e consulados.

A Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) vai enviar 96 observadores e especialistas políticos, liderados pelo ex-Presidente da República Dominicana, Leonel Fernández (1996-2000 e 2004-2012), para acompanhar as eleições presidenciais de domingo na Colômbia.

A União Europeia vai ter também no terreno uma missão de observação eleitoral para as presidenciais colombianas, chefiada pelo vice-presidente do Parlamento Europeu, Esteban González Pons. Esta missão já enviou mais de 100 observadores para as eleições legislativas realizadas em março, nas quais o partido Pacto Histórico obteve a vitória.

C/agências
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